Lembrei-me deste texto de Bertolt Brecht que há anos me tinha impressionado muito e que junto em anexo.
O autor quis dar a ideia do que se estava a passar no tempo de Hitler e do nazismo na Alemanha. Calculo que muitas pessoas não sabem que Hitler chegou ao poder por ter ganho eleições livres. Este facto não livrou o país de uma das tiranias mais sangrentas de todos os tempos. Muita gente saberá que Brecht foi um dos mais célebres lutadores contra o nazismo e que passados tantos anos as suas peças de teatro continuam a ser representadas em todo o mundo.
Ninguém sabe o que se vai passar em Portugal a partir do próximo ano de 2012, mas aconselhar os professores desempregados a emigrar é muito mau sinal.
Não se seguirão todos os outros 700.000 desempregados que dão tanta despesa e que para o ano já se sabe que são muitos mais? E os milhares de doentes que estão à espera de cirurgias que para o ano serão o dobro e irão dar tanta despesa. E os estropiados? E os excluídos que dormem nas ruas?
E mesmo os 300.000 pequenos e médios patrões dos quais muitos irão à falência? E os milhares que vão ser desalojados das casas que foram aconselhados e desassisados pelos bancos a comprar para o lucro dos banqueiros? E vão aparecer outros casos decorrentes do círculo vicioso de baixar a despesa e depois não haver receita...
Está tudo muito calado pelo que espera agora os professores, cujos sindicatos eram tão combatidos contra o governo anterior!!! Mesmo perdendo para o ano dois salários.
Mas como na apreciação do Brecht, os principais sindicalistas não exercem a profissão de professores, por isso não se importam. E é claro, que se calhar os sindicalistas também têm que emigrar e depois não fica mais ninguém, para se importar com eles.
No próximo texto depois desta emigração toda eu talvez diga quem cá fica. Será preciso???
João Loureiro
"Primeiro vieram buscar os Comunistas,
e eu não disse nada,
porque eu não era Comunista.
Então vieram buscar os Judeus,
e eu não disse nada,
porque eu não era Judeu.
Então vieram buscar os Católicos,
e eu não disse nada,
porque eu era Protestante.
Então vieram buscar-me a mim,
e nessa altura,
já não havia ninguém para falar por mim."
Bertold Brecht
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