art1Abordar o património cultural é, na maior parte das vezes, tarefa difícil porquanto imediatamente as pessoas pensam em monumentos, em imóveis grandiosos e de valor artístico e arquitetónico aplaudidos por todos. Raramente se pensa no património cultural como todas as marcas, vestígios e objetos que o homem deixa e cuja natureza própria os distingam de alguma forma. Hoje pensa-se o património cultural como sendo tudo, mas como lembra Xavier Greffe, o que ganha em extensão perde inevitavelmente em profundidade.

Assim, se tudo é património que é que resta?

Permitem estas breves palavras introduzir um elemento do património cultural que convive connosco, o qual, pela proximidade e pelo hábito, não assumimos como parte integrante das nossas memórias, da memória coletiva. De igual forma não intuímos, naquele instante em que nos cruzamos com estes “monumentos”, sobre a forte carga simbólica e imaterial que lhes está subjacente. Refiro-me às alminhas. De história perdida no tempo, a sua construção parece derivar das conclusões emanadas do Concílio de Trento do século XVI. Aí se reafirmou a crença no Purgatório, enquanto estadio médio, “local” de paragem para “santificação” das almas antes da entrada no Céu. Para o sucesso da sua entrada é fundamental que os vivos rezem pelas almas. Ora, a forma de realizar tal ato traduziu-se na construção destes enormes, mas também pequenos, e cheios de beleza artística, altares de fé e religiosidade popular.

Fiquemos, então, com um exemplar de Abrunhosa do Mato.

alminhaDesignação: Alminha da Fonte Arenosa

Localização: F. Cunha Baixa L. Abrunhosa do Mato C. Mangualde

Coordenadas: N-40 32’842 / W-7 44’727

Descrição: Alminha em granito. Localizada numa encruzilhada de caminhos, junto à fonte Arenosa. Data de 1869. Tem inscrição, sendo que a linha inferior está indecifrável, devido às obras de “restauro”.

Tem painel em azulejos retratando uma cena do purgatório. Trata-se de um painel recente, substituindo um anterior que retratava a mesma cena. O autor dos azulejos é a Olaria de Juncais, e tem a marca desta olaria. Tem vestígios de ter pintura a vermelho que saiu com o “restauro”.

Dimensão do monumento:

Altura: 180 cm

Largura: 70cm

Profundidade: 22 cm

 

António Tavares

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